Os assinantes da HBO Max precisam correr se quiserem maratonar duas produções altamente elogiadas pela crítica especializada, antes que elas sumam do catálogo. A plataforma confirmou a remoção de duas séries de grande peso de sua lista de exibição oficial nos próximos dias: o drama britânico “It’s a Sin“, que se despede no dia 30 de junho, e o aclamado suspense argentino “Epitáfios“, que deixa o serviço logo em seguida, no dia 1º de julho.

Criada pelo premiado roteirista Russell T Davies, “It’s a Sin” acompanha a vida de um grupo de jovens amigos homossexuais que vivem em Londres durante a década de 1980, bem no início da crise do HIV e da AIDS. A obra mistura momentos de profunda alegria, amizade e autodescoberta com o drama devastador do preconceito e da ignorância da época. A produção foi indicada a múltiplos prêmios e se tornou um fenômeno de crítica pela sua sensibilidade e atuações tocantes.
Por sua vez, “Epitáfios” é um verdadeiro clássico do suspense policial latino-americano. A produção argentina foi uma das primeiras grandes séries originais da HBO na região, dividida em duas temporadas eletrizantes. A trama acompanha a caçada humana a um assassino em série brilhante e cruel, que anuncia suas mortes por meio de epitáfios enviados a um detetive atormentado.
Muitos espectadores se perguntam por que séries tão importantes deixam as plataformas, e a resposta está inteiramente ligada aos bastidores financeiros e jurídicos da indústria audiovisual. Diferente de produções cem por cento próprias e permanentes, muitas séries são apenas alugadas pelas plataformas por um período determinado. É o caso de “It’s a Sin”, que pertence originalmente ao Channel 4 britânico. Quando esse contrato de licenciamento chega ao fim, se as empresas não chegam a um acordo financeiro para a renovação, o título precisa ser retirado do ar imediatamente.
Além disso, manter títulos disponíveis na biblioteca custa dinheiro, pois as plataformas pagam taxas residuais e direitos de exibição recorrentes para atores, diretores e estúdios parceiros. Se o volume de visualizações de uma produção antiga começa a cair, a empresa pode optar por retirá-la simplesmente para cortar custos operacionais. Há também a estratégia de exclusividade dos grandes estúdios, que preferem recuperar o controle de suas obras para revendê-las a outros concorrentes do mercado por valores mais atraentes, gerando essa eterna dança das cadeiras no ecossistema digital.
