A HBO preencheu todos os sábados de julho às 22h e a grade do mês não tem linha temática deliberada, mas tem algo em comum: sangue. De origens distintas (Irlanda, Canadá, Estados Unidos, biopic real), os quatro filmes orbitam o horror em sentido amplo. Há múmias, ringues, podcasts amaldiçoados e torneios interdimensionais.
4 de julho
O mês abre em 4 de julho com Maldição da Múmia (Lee Cronin’s The Mummy, 2026) — e o título carrega o nome do diretor por um motivo claro: não tem nada a ver com Brendan Fraser, Boris Karloff ou Tom Cruise. Escrita e dirigida por Lee Cronin, responsável pelo Evil Dead Rise, a produção da Blumhouse e da Atomic Monster de James Wan reimagina a mitologia da múmia como um demônio egípcio antigo que possui a filha desaparecida de um jornalista. O elenco reúne Jack Reynor, Laia Costa, May Calamawy e Verónica Falcón.
A proposta é mais Exorcista do que A Múmia e a crítica notou isso com alguma impaciência. No Rotten Tomatoes, apenas 47% das 187 críticas são positivas. O consenso aponta que Cronin injeta gore e apostas pessoais no setup clássico de horror, mas os sustos acabam soterrados por uma duração inflada. O Metacritic registra 47 de 100. Mesmo assim, com orçamento de US$ 22 milhões, o filme arrecadou US$ 90 milhões no mundo, o que, na prática, significa que já garantiu continuação.
11 de julho
O dia 11 de julho é de Sydney Sweeney no ringue. Christy: Um Novo Round (2025) conta a história real de Christy Martin, a boxeadora mais famosa dos Estados Unidos nos anos 1990, a primeira mulher na capa da Sports Illustrated pelo esporte e pioneira na luta feminina em pay-per-view. O longa é dirigido por David Michôd e traz ainda Ben Foster como Jim Martin, o técnico que se tornou marido e, eventualmente, agressor da atleta. Para o papel, Sweeney treinou boxe e musculação por meses, engordando mais de 13 kg no processo e realizou ela mesma as sequências de luta, sem dublê.
A recepção da crítica foi dividida, mas em torno de um ponto de convergência: Sweeney brilha, o filme tropeça. No Rotten Tomatoes, 66% das 202 críticas são positivas, com nota média de 6,4/10. O consenso do site diz que o filme “falha em coesão tonal e impacto emocional, mas permanece como um vitrine convincente para a performance transformadora de Sydney Sweeney”. No Metacritic, a nota é 58 de 100, classificada como “mista ou mediana”. No IMDb, a pontuação atual é 6,4. O público, porém, foi mais generoso: o Popcornmeter do Rotten Tomatoes chegou a 99% entre os espectadores que viram o filme.
O consenso que emerge das análises é o de um biopic bem-intencionado que não escapa dos clichês do gênero, mas que tem em sua protagonista motivo suficiente para assistir. Ben Foster também é apontado como destaque: especialista em personagens no limite da ameaça, ele entrega aqui uma das performances mais perturbadoras de sua carreira. A história de Christy Martin, que inclui vício em cocaína, abuso doméstico sistemático e uma tentativa de assassinato pelo próprio marido em 2010, é pesada demais para passar despercebida mesmo em um roteiro convencional.
18 de julho
Na semana seguinte, 18 de julho, o HBO aposta no medo. Undertone (2025) é uma produção canadense de micro-orçamento distribuída pela A24 que transformou o design sonoro em arma de terror. O longa acompanha Evy (Nina Kiri), apresentadora de um podcast paranormal que se muda para a casa da mãe em fase terminal. Quando ela e seu co-apresentador começam a receber gravações anônimas de um casal que enfrenta ruídos inexplicáveis em casa, Evy é arrastada para uma paranoia crescente da qual parece impossível escapar. O detalhe mais intrigante da proposta: Evy e sua mãe são os únicos personagens visíveis na tela — todos os outros existem apenas como vozes.
No Rotten Tomatoes, 74% das 187 críticas são positivas, com nota média de 6,9/10. O consenso elogia o uso do espaço negativo e do design de áudio para construir o terror. No Metacritic, a nota é 64 de 100. No IMDb, a pontuação é 6,2, e o público se mostrou mais dividido, o CinemaScore registrou nota “C”, incomum para um filme com crítica tão favorável. A explicação está no formato: Undertone é um filme de festival, lento e deliberado, feito para quem aceita o jogo proposto. Quem estiver disposto a mergulhar na experiência vai encontrar uma obra que vai além do horror passivo, algo que se vive tanto quanto se assiste.
25 de julho
Para fechar o mês, 25 de julho, o HBO entrega a maior produção da grade: Mortal Kombat II (2026). Dirigido por Simon McQuoid, o filme é a sequência do reboot de 2021 e traz Karl Urban como Johnny Cage, o personagem mais aguardado pelo fandom, ao lado dos retornantes Jessica McNamee, Josh Lawson, Lewis Tan, Joe Taslim e Hiroyuki Sanada. A trama posiciona os campeões do Earthrealm no torneio propriamente dito, desta vez contra o imperador Shao Kahn, com Cage sendo recrutado como o quinto lutador de Raiden e Sonya Blade.
O resultado nas bilheterias foi sólido para o padrão do franchise: o filme arrecadou US$ 129 milhões no mundo com orçamento de US$ 80 milhões, superando a marca total do primeiro filme. A crítica ficou mais reticente do que o público. No Rotten Tomatoes, 64% de aprovação entre 191 críticas, com nota média de 5,7/10. O consenso aponta um “slugfest autoconsciente” voltado para quem conhece a diferença entre Fatalities e Babalities. No Metacritic, 46 de 100, “misto ou mediano”. O público votou com os pés no outro sentido: o Popcornmeter do Rotten Tomatoes estreou com 90%, o maior da história do franchise nas telas. A chegada ao HBO menos de três meses após o lançamento nos cinemas posiciona a exibição como janela ainda quente para quem perdeu na sala.
Qual dos quatro filmes de julho você vai priorizar no HBO — e qual vai deixar passar sem remorso?
