Julho no HBO começa com lacunas, os filmes dos dias 4 e 25 ainda não foram revelados pelo canal, mas o que já está confirmado para os dois sábados do meio do mês vale a espera. As estreias às 22h trazem um biopic denso sobre uma das maiores boxeadoras da história e um terror de baixo orçamento que virou fenômeno nos festivais.
O dia 11 de julho é de Sydney Sweeney no ringue. Christy: Um Novo Round (2025) conta a história real de Christy Martin, a boxeadora mais famosa dos Estados Unidos nos anos 1990, a primeira mulher na capa da Sports Illustrated pelo esporte e pioneira na luta feminina em pay-per-view. O longa é dirigido por David Michôd e traz ainda Ben Foster como Jim Martin, o técnico que se tornou marido e, eventualmente, agressor da atleta. Para o papel, Sweeney treinou boxe e musculação por meses, engordando mais de 13 kg no processo e realizou ela mesma as sequências de luta, sem dublê.
A recepção da crítica foi dividida, mas em torno de um ponto de convergência: Sweeney brilha, o filme tropeça. No Rotten Tomatoes, 66% das 202 críticas são positivas, com nota média de 6,4/10. O consenso do site diz que o filme “falha em coesão tonal e impacto emocional, mas permanece como um vitrine convincente para a performance transformadora de Sydney Sweeney”. No Metacritic, a nota é 58 de 100, classificada como “mista ou mediana”. No IMDb, a pontuação atual é 6,4. O público, porém, foi mais generoso: o Popcornmeter do Rotten Tomatoes chegou a 99% entre os espectadores que viram o filme.
O consenso que emerge das análises é o de um biopic bem-intencionado que não escapa dos clichês do gênero, mas que tem em sua protagonista motivo suficiente para assistir. Ben Foster também é apontado como destaque: especialista em personagens no limite da ameaça, ele entrega aqui uma das performances mais perturbadoras de sua carreira. A história de Christy Martin, que inclui vício em cocaína, abuso doméstico sistemático e uma tentativa de assassinato pelo próprio marido em 2010, é pesada demais para passar despercebida mesmo em um roteiro convencional.
Na semana seguinte, 18 de julho, o HBO aposta no medo. Undertone (2025) é uma produção canadense de micro-orçamento distribuída pela A24 que transformou o design sonoro em arma de terror. O longa acompanha Evy (Nina Kiri), apresentadora de um podcast paranormal que se muda para a casa da mãe em fase terminal. Quando ela e seu co-apresentador começam a receber gravações anônimas de um casal que enfrenta ruídos inexplicáveis em casa, Evy é arrastada para uma paranoia crescente da qual parece impossível escapar. O detalhe mais intrigante da proposta: Evy e sua mãe são os únicos personagens visíveis na tela — todos os outros existem apenas como vozes.
No Rotten Tomatoes, 74% das 187 críticas são positivas, com nota média de 6,9/10. O consenso elogia o uso do espaço negativo e do design de áudio para construir o terror. No Metacritic, a nota é 64 de 100. No IMDb, a pontuação é 6,2, e o público se mostrou mais dividido, o CinemaScore registrou nota “C”, incomum para um filme com crítica tão favorável. A explicação está no formato: Undertone é um filme de festival, lento e deliberado, feito para quem aceita o jogo proposto. Quem estiver disposto a mergulhar na experiência vai encontrar uma obra que vai além do horror passivo, algo que se vive tanto quanto se assiste.
Os sábados de 4 e 25 de julho permanecem sem confirmação de título. O HBO ainda não divulgou as escolhas para essas datas, o que mantém a grade de julho parcialmente em aberto.
Qual dos dois filmes confirmados mais te chama atenção: o biopic de boxe com uma performance que pode redefinir a carreira de Sydney Sweeney, ou o terror sonoro que assustou festivais antes de chegar à TV paga?
